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Maicon Rosa “ Totalmente Tomado”
Escrito por Marcio Silvério   

    Maicon Rosa Totalmente Tomado Maicon Rosa colecionador de títulos nos anos 1990 À 2000. De surfista profissional À Big Rider de alma. Tem como bagagem oito temporadas no Hawaii. Uma pessoa simples, carismático e amigo de todos dentro e fora da água. Contemporâneo quando se trata de ultrapassar os limites da radicalidade. Hoje com 32 anos cursando o 2° ano de Direito na Faculdade Isulpar em Paranaguá-Pr, continua surfando, principalmente quando rolam altas ondas no pico de Matinhos.  

Silvério: Maicon, como é essa historia de colecionar títulos? 

Maicon Rosa: Comecei a surfar aos 11 anos, incentivado pelo meu irmão Peterson Rosa quando eu vim passar as férias em Matinhos, litoral do Paraná. Eu morava com meus pais no Guarujá baixada Santista – SP, e meu irmão morava em Matinhos com nossos avós. O Peterson já era destaque nas competições no Paraná e a nível Nacional. Com 6 meses de surf, comecei a competir.

Aos 13 anos fui campeão Paulista Iniciantes, aos 14 fui campeão Paulista Mirim, Campeão Brasileiro Iniciantes e Mirim. Aos 15, Campeão Paulista, Mirim e Juniors. Aos 16 anos, Campeão Paulista Juniors, e vice campeão Brasileiro Junior. Aos 17 anos, campeão Paulista Open e Brasileiro. Neste mesmo ano, 1994, representei o Brasil no Campeonato Mundial Amador na categoria Open. Em 1996, me tornei Profissional. Aos 19 anos, terminei em 5º lugar na Categoria Profissional do Circuito Paulista e 14º colocado do Ranking Brasileiro. Em 1998 e 1999 fui vice campeão Paulista, e em 2000 fui campeão Paulista do Circuito mais Cobiçado do Brasil. O Circuito Paulista Profissional era muito forte na época. Muito competitivo mesmo, pois surfistas de peso lutavam pelo título e eu, Paranaense, radicado em São Paulo assim como muitos surfistas consegui o título de Campeão Paulista Profissional.

                                                                                          

 

Silvério:  Maicon, acompanhei a sua trajetória, pois na época eu trabalhava com o Canfield e fazia todas as suas pranchas. Eu gostava mesmo é de fazer suas Guns para o Hawaii, pois você sempre aparecia nas revista com altas fotos. Em Pipeline e Rock Point. Como foi aquela época da sua vida? 

Maicon Rosa:  Foi a melhor fase da minha vida. Minha estadia na Ilha eram de 3 meses. Para surfar bem no Hawaii tem que se dedicar. Tem que gostar de surfar ondas grandes, ondas realmente grandes..., Os caldos no Hawaii são extremamente fortes. A onda é tão forte que parece que vai arrancar a cabeça do corpo, realmente a sensação é de que um caminhão esta passando por cima de você, é inexplicável. Eu tinha um amigo Brasileiro, Shena, que conheci no Havaii que shapeava no Nort Shore. Ele era muito respeitado pelos locais e me levou para surfar em altos picos como: Pipeline, Sunset, Laniakea, haleiwa, Off de Wal, Waimea Bay, Rock Point, e também me levou para conhecer altas montanhas. Fazíamos trilhas de montain bike, do alto das montanhas dava para ver o North Shore Hawaino.

Isso se repetiu durante seis anos consecutivos, ondas grandes e grandes montanhas. A adrenalina sempre À 1000. Quando não tinha onda, corríamos para as montanhas por ser divertido e ao mesmo tempo muito perigoso, pois eram muitos ingrimes. Para subir era necessário um excelente preparo físico. Poucas pessoas conseguiam subir pedalando e eu e o Shena subíamos competindo e quando chegávamos no topo, o visual e o ar fresco era recompensador pelo esforço. Daí vinha a descida muito perigosa, com muita coragem e habilidade ,com excelente bike, pois as trilhas são cheias de fendas causadas pelas águas da chuva, onde muitos já caíram e se arrebentaram. Falavam que o Shena e eu éramos malucos, pois subíamos sempre competindo e descíamos a milhão, eu sempre queria ganhar dele, quando isso aconteceu ele resolveu que devíamos parar, pois estávamos passando do limite, viciados pela adrenalina indo quase todos os dias para as montanhas para sentir aquela enorme sensação,poderíamos   acabar nos machucando.

Uma vez ele caiu na minha frente e passei por cima da bike dele e não caí. Aí  foi o fim, pois ele falou para mim que eu  tinha uma carreira inteira pela frente. Ele todo ralado, falou que poderia ter sido eu ,e ter comprometido toda minha temporada nas ilhas Havaianas. 

Silvério: Maicon, e o surf? 

Maicon Rosa: Teve um dia quando amanheceu o mar estava para subir para 15 pés , estávamos eu, o Fabio Gouveia e Teco Padaratz hospedados no mesmo local. Fomos até Pipeline conferir o mar. O dia estava clareando, chegando no Bech Park já tinha muitos carros estacionados. Estava “animal”, clássico, de 10 à 12 pés. Nunca tinha visto esquerdas tão grandes, estava quebrando banzai segundo Reef.

Cara, olhei para a cara do Teco e do Fabinho e falei: Vamos surfar Galera? Eu eu fui para o carro correndo para pegar minha gunzeira 7`10” novinha e saí correndo para a praia pensando, Meu Deus, tomara que esta prancha seja boa! Porque pelo tamanho que estava o mar poderia ser fatal. Até os Lumbras (chefe de equipe) vieram me avisar se eu sabia o que estava fazendo, foi quando olhei para eles e falei, só vou saber se vou conseguir surfar entrando no mar. Eles falaram Maicon vai com Deus e tome cuidado, estaremos aqui te olhando.

Entrei no mar comecei a remar e tomei algumas ondas enormes na cabeça, não consegui afundar a prancha direito pelo seu tamanho pois nunca havia surfado com uma prancha tão grande..., pensei que não fosse conseguir, foi quando a correnteza me jogou para o canal e consegui entrar no mar. Comecei a remar em direção ao Out Side e vi as maiores ondas da minha vida quebrando, foi quando vi o hawaino Lian Macnamara pegar o maior tubo que eu já havia visto em toda a minha vida. Cabia uma camionete dentro do tubo.

Fiquei impressionado com o que vi, pois com apenas 17 anos, nunca tinha entrado no mar com aquele tamanho. Avistei o Carlos Burle um pouco mais para o fundo, sentei ao seu lado e o cumprimentei, ele me olhou com uma cara de espanto por me ver naquele mar. Ele me falou “Irado Maicon você vai pegar a onda da sua vida!!!. Eu respondi: Tomara que sim! 

Eu estava sentado ao seu lado quando começou a vir a série, o hawaiano Macnamara já  havia passado pela gente e estava mais posicionado para dentro do pico. Veio uma esquerda enorme e ele pegou. Passamos a onda eu e o Burle, veio outra onda atrás, foi quando Burle gritou: “ Vai Maicon que essa é sua!” Eu não pensei duas vezes, me posicionei e remei com toda minha força e quase não consegui entrar, porque a onda tinha muito volume de água, foi quando a prancha embalou e percebi que iria conseguir pegá-la, levantei e apavorado fiquei bem agachado para completar o drop pois era uma ladeira enorme. Cheguei na base da onda, dei o Boton Turn e consegui dar uma rasgada com muita dificuldade porque a prancha era enorme e a onda também. Após a rasgada desci e cheguei no primeiro reff, onde a bancada é rasa e rolam os tubos. Comecei a me posicionar para pegar e rolou um tubo enorme, fiquei muito assustado com o que estava vendo. Me agachei sobre a prancha, pois a força da onda querendo tirar a prancha do meu pé era enorme e eu só pensava: “Meu Deus, não posso cair, se eu cair eu vou morrer”. Mas Graças à Deus, deu tudo certo. Como Carlos Burle disse, peguei o tubo da minha vida e o melhor tubo do dia. Olhei para a praia..., tinha acabado de sair da onda, todos os fotógrafos e os lumbras que estavam presentes naquele dia, pulavam sem parar ao registrarem aquele momento, com muita emoção de ver o atleta mais novo da equipe entrar no mar onde poucos arriscaram, tive a felicidade de pegar o maior tubo do dia e da minha vida. Isto ocorreu no dia 06/01/1995 e eu tinha apenas 17 anos e no dia 10 de janeiro completei 18 anos. Voltei para o Brasil no final de fevereiro, com um dos maiores tubos surfados em Pipeline por um brasileiro, sendo destaque daquela temporada com o título Totalmente Tomado.  

Silvério: Apesar de ser um excelente surfista principalmente em ondas grandes e ter que honrar o seu sobrenome (Rosa), você sempre foi simples, amigo e carismático com todos, nunca teve seu ego inflado e nunca se achou melhor que ninguém, nem dentro e fora d´água, fale-me um pouco dessa simplicidade... 

Maicon Rosa: Adquiri essa humildade, justamente quando fui pela primeira vez ao Havaii, por ser um excelente competidor me achava melhor que os outros, principalmente referindo-se aos mais velhos, deparando com as grandes ondas, fiquei apavorado, não acreditava no que estava vendo, achava que surfava ondas grandes no Brasil. Fiquei 50 dias decidindo se caia ou não na Pipeline..., foi quando vários surfistas mais velhos que moravam na ilha sem patrocínio, se atiravam naquelas ondas arriscando suas vidas pelo prazer de surfar, a partir desse momento tive a humildade de reconhecer que tinha muita coisa para aprender, e percebi o quanto é importante ouvir e respeitar os mais experientes, ou seja ninguém é melhor que ninguém, tenho amigos que surfam comigo e não são profissionais: empresários, músicos, advogados, médicos e outros, com respeito e humildade trocamos experiências.  




Esta onda do Maicon Rosa foi eleita pagina 10 da revista fluir como destaque Brasileiro naquela temporada com o titulo “ Totalmente Tomado”. 

 
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