Jéssica mira o título Macaense busca seu primeiro caneco no tour mundial Nascida e criada em Macaé, cidade localizada ao norte do Rio de Janeiro, Jéssica Becker, atleta de 21 anos, ocupa a 3ª colocação no ranking mundial feminino. Com viagem marcada para dia 28, com destino as Ilhas Canárias, palco da última etapa do tour de 2009, a bodyboarder concedeu uma entrevista falando sobre suas expectativas na corrida pelo título da temporada. 1. Quais são as maiores qualidades de suas adversárias ao título? A principal qualidade da Neymara é a experiência e técnica, eu a tenho como ídolo, então não a subestimo em momento algum. Ela consegue lidar bem com a pressão. A Eunate tem um estilo bonito também e se sai bem em ondas com qualidade, mas é mais insegura que a Ney. Porém, não deixa de ser uma atleta de alto nível e potencial.
2. Como está a cabeça para a competição? Bem, eu estou muito tranqüila, não estou me sentido pressionado. Para mim é uma satisfação poder brigar pelo título mais um ano e coloquei a seguinte frase na minha cabeça: "se for, foi, se não for, paciência! Tenho muitos anos ainda pela frente". Estou curtindo esse momento ao máximo. 3. Como tem sido sua rotina de treinamentos? Você treina algo especifico para a onda de Confital ou segue sua mesma rotina de treinos? Eu sempre tive um treinamento voltado para o esporte, mas desde que voltei da Europa com bons resultados eu decidi levar mais a sério. Meu treinamento é dividido por etapas: nas segundas, quartas e sextas eu treino uma hora e meia de musculação voltada para o esporte, com exercícios específicos que tentam imitar os movimentos em cima de um bodyboard. Meu treino é de potência, o que visa a resistência e força dos músculos. Após a musculação faço mais 30 minutos de esteira com o controle do batimento cardíaco visando melhorar a parte aeróbica. Nas terças, quintas e às vezes sábados eu faço um treino de flexibilidade de aproximadamente 30 minutos e em seguida um treinamento só para o core (abdome e lombar) de mais ou menos 40 minutos, visando deixar essa região mais forte, pois sofremos muito com os impactos e movimentos de rotação. Por último, mais um treino de 1 hora dentro da piscina envolvendo apneia e natação com o bodyboard e pés-de-pato. Além desse treino fora da água, estou sempre surfando quando tem onda. Olhando assim parece muito, mas eu gosto bastante. O que fiz foi incrementar e modificar algumas coisas do treino que eu já vinha fazendo há muito tempo e além de ser algo rotineiro para mim, pois freqüento academia desde os 13 anos, acho que já vem dando bons resultados. Mesmo que eu não ganhe o evento, para mim já é um motivo para ficar tranqüila, pois me sinto mais preparada e confiante. 4. Se o título vier, o que podemos esperar de você para 2010? Se vier com certeza vou ficar muito feliz, e vou querer fazer melhor ainda no próximo ano. Será um incentivo muito grande, pois cada vez você quer mais e mais. 5. Quando nova você começou a surfar contra os meninos em Macaé, pois não havia garotas suficientes para completar uma bateria. Hoje você disputa o título mundial. Faça um resumo de sua trajetória até chegar a brigar pelo título mundial. Você chegou a vencer alguns meninos na época? Eu comecei a competir aos 13 anos e na época não existia uma divisão para as meninas, o jeito era competir junto com os garotos e se esforçar ainda mais. Isso me ajudou a crescer e desenvolver bastante. Cheguei a ganhar algumas competições entre os homens, o que era bem engraçado. Sempre havia aqueles comentários: "você perdeu para uma menina!". Depois como profissional tive a oportunidade de competir no RIO SUPER PRO entre os profissionais que se destacam no país e por incrível que pareça passei algumas baterias nos campeonatos e isso me deixava super instigada, acho que se me convidarem outra vez eu entro sem dúvidas. Eu adoro essas oportunidades e tento fazer o máximo para ganhar entre eles, pois é muito mais difícil e para mim é a melhor forma de evoluir. Conquistei bastante títulos como amadora dentro do país até me profissionalizar aos 18 anos, em 2006. Depois foquei o circuito brasileiro, sendo vice campeã brasileira por três vezes. Em 2007 tive que parar um pouco, pois era o último ano de colegial, mas em 2008 decidi tentar o circuito mundial. Apesar de na época me sentir muito insegura, eu achava que não tinha muito potencial para o tour, mas muitos amigos me incentivaram e hoje agradeço muito a eles. 6. Qual foi e onde foi a melhor etapa do tour deste ano na sua opinião ? Tiveram duas etapas que me marcaram muito esse ano. A primeira foi em Sintra, Portugal com aquele mar difícil. Foi a primeira vez, eu chorei muito ao perder uma bateria, parecia uma criança que tinha perdido sua boneca (risos). Eu não consegui entrar no mar e não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Tem males que vem para o bem, depois disso decidi treinar ainda mais forte para não passar por isso novamente. Isto me ajudou a crescer bastante como profissional. Sintra é uma etapa tradicional que sempre tem destaque no circuito mundial. Outra etapa que foi perfeita para mim foi Búzios. O evento foi lindo, com altas ondas, bem estruturado, ocorreu tudo bem e vencer praticamente em casa com direito a torcida, foi incrível. Quem não foi perdeu. 7. O esporte vive um bom momento de novo? Comente de maneira sucinta a fase que atravessa o bodyboarding. Aos poucos o esporte está se reestruturando novamente. Eu vejo uma diferença grande entre 2009 e 2006 (2006 eu tive a oportunidade de ir a algumas etapas do tour). Não está perfeito ainda, mas bem melhor que antes. Eu não vivi a época do "boom", mas creio que a gente possa voltar aos grandes cenários, como as histórias que ouvi e li sobre "aquela" época. 8. Qual a diferença da Jéssica Becker vice-campeão mundial de 2008 para a Jéssica de 2009? Jéssica 2009 está muito, mais confiante, alegre e sempre com os pés no chão. Nada de ir além da realidade para não ter decepções. Eu ainda continuo com o mesmo pensamento de deixar as coisas acontecerem, mas lógico, tentando dar uma ajudinha para a sorte. Texto e fotos: Flávio Brito |