O surf no Brasil também é uma paixão nacional, não por começar com S como Samba, sua música cujo ritmo também exige muita flexibilidade no fazer, “ginga“, como os brasileiros gostam de falar.
Uma das músicas mais conhecidas do Brasil é “Garota de Ipanema”, bairro e praia da charmosa zona sul da cidade do Rio de Janeiro, vizinha da também carioca Copacabana.
Foi na divisa entre Ipanema e Copacabana, na Praia do Arpoador, que o surf surgiu no Brasil, anos antes do país entrar em uma ditadura militar em 1964.
“No Rio, o surf começa de verdade no Arpoador, com Arduíno Colasanti, e uma turma de caras da caça submarina.” diz o veterano fabricante de pranchas Marcelo Kaneca
“Tudo bem, teve uns caras antes em Copacabana, mas galera praticando de verdade, foi no Arpoador. Eram mais pescadores que surfistas, mas começaram o esporte assim mesmo.” faz questão de ressaltar.
“Época das madeirites. Depois veio uma geração mais próxima, os primeiros surfistas de verdade, a era de ouro do Arpoador. As primeiras pranchas importadas. Mário Bração, Geraldo, Persegue, Almir, Betinho, Fernanda (Guerra), Maria Helena, Barriga, Ciro, Domeneque, um monte de gente, todos mais velhos que eu, os deuses do meu Olimpo“ diz Kaneca.
Arduino Colassanti, é emblemático, ator bissexto (Protagonizou o filme “Como era gostoso o meu francês”) símbolo masculino equivalente ao da famosa garota de Ipanema, ele foi também pescador, e há três anos estava entre os que homenagearam o pioneiro do surf moderno do Brasil, o globe troter australiano Peter Troy, cuja memória foi reverenciada no Costão de pedras do Arpoador, onde ele casualmente vendo alguém com uma prancha, a pediu por empréstimo para revolucionar o surf do Brasil da época com manobras inovadoras.
Produtor do primeiro filme brasileiro de surf, o “Nas ondas do surf”, há trinta anos, Livio Bruni Júnior tem uma lista de figuras de várias gerações, entre eles aparece Tito Rosembergue, que, além de pioneiro em pranchas de surf, desbravou praias pelo mundo inteiro a partir do Rio de Janeiro, e hoje mora na Praia da Pipa, em Tibau do Sul, um dos destinos turísticos do Rio Grande do Norte, nordeste do Brasil, e que possui ondas que atraem desde iniciantes de todas as idades até campeões e especialistas na manobra tubo, a exemplo do único tricampeão nacional, Peterson Rosa, que já passou férias lá e surfou, na praia da Lajinha, ondas que lembraram as da sua cidade, Matinhos, no Paraná, Sul do Brasil.
“Aqui é o melhor lugar do mundo para se aprender a
surfar” foi com essas palavras que Fábio Gouveia, maior vencedor do surf brasileiro, ressaltou João Pessoa, Paraíba, quando lá esteve para lançar, em 2004, o filme “Fábio Fabuloso”. sua cinebiografia.
A Paraíba, fica na região nordeste do Brasil e tem como principal atrativo as festas de São João, em junho. Bananeiras, onde Fábio nasceu, começa a ganhar tradição em festas de São João, graças a seu clima frio, de serra, aliado a fazendas da época do apogeu com o café, que fez surgirem hotéis fazendas, mas Fábio não os conhece, muito novo saiu de lá e foi se encontrar com o mar da Praia do Bessa, na capital João Pessoa, para se tornar o maior nome do surf brasileiro.
Para ele, seu maior prêmio, depois da família que inclui três filhos entre 14 e 20 anos, foi receber o troféu Pepê Lopes, homenagem ao surfista brasileiro, do Rio de Janeiro, Pedro Paulo Guise Lopes, o Pepê, primeiro do país a fazer final na temida Pipeline, na costa norte havaiana.
Pepê, morreu precocemente em 1991 no Japão, buscando seu segundo título mundial de vôo livre. Ele era então o responsável pela etapa sul-americana do mundial de surf acontecer no Rio de Janeiro, evento que passou a ser em Santa Catarina uma década depois, mas ano que vem volta a charmosa cidade que em 2016 sedia ás Olimpíadas, e o surf dela quer fazer parte, como já fazem esportes como Judô e Hipismo, nos quais, antes do Surf, Pepê também foi campeão.
Dupla integrante da elite mundial, Adriano de Souza, de São Paulo, e o estreante Jadson André, do Rio Grande do Norte, são as maiores estrelas do surf brasileiro na atualidade, a exemplo da representante feminina Silvana Lima, do Ceará, que está na elite mundial ao lado da peruana ex-campeã mundial Sofia Mulanovich.
O trio inspira nomes como o da atual tetracampeã Sub-20 sul-americana Diana Cristina, da Baia da Traição, na Paraíba, ao melhor Júnior (Sub-18) do mundo, Gabriel Medina e ao melhor Júnior do Brasil, Filipe Toledo, respectivamente de Maresias e Ubatuba, balneários do litoral norte paulista.
O Brasil sedia ao único evento sul-americano “prime” da divisão de acesso à elite mundial da Association of Surfing Professional (ASP), que acontece no verão de boas ondas no calor da região nordeste, mais exatamente no arquipélago de Fernando de Noronha, no estado de Pernambuco.
A praia de ondas perfeitas que recebe à prova mundial na ilha principal, Fernando de Noronha, é a Praia da Cacimba do Padre, nome referência ao religioso que lá construiu uma cacimba, sendo ele antepassado do primeiro surfista profissional da região nordeste, Felipe Dantas, do Rio Grande do Norte, que recentemente passou noventa dias na Indonésia e ao voltar já foi visto surfando na Praia da Pipa, aquela mesma onde mora Tito Rosemberg, do Rio de Janeiro e um dos pioneiros do surf brasileiro.
|